A delicadeza da medida
Nem tudo o que nos encanta precisa crescer.
Algumas experiências chegam apenas para deslocar o olhar, devolver uma sensação esquecida ou lembrar que certos lugares dentro de nós continuam vivos. Não precisam tornar-se maiores para terem sido verdadeiros.
Talvez a maturidade esteja também em reconhecer a medida das coisas.
Há movimentos que pedem passagem. Outros, contemplação. Alguns merecem investimento, continuidade, espaço na agenda e na vida. Outros podem permanecer bonitos exatamente onde aconteceram, sem que isso os diminua.
Aprender a perceber essas diferenças exige uma escuta muito particular. Aquela que não se orienta apenas pelo entusiasmo do instante, mas também pelo que permanece quando o ruído diminui.
Com o tempo, deixamos de direcionar energia apenas para aquilo que desperta desejo e começamos a observar o que também encontra lugar na realidade.
Não por excesso de cautela. Por inteireza.
Existem partes nossas que foram cuidadosamente reorganizadas. Territórios que não estão escondidos, apenas deixaram de receber qualquer movimento como destino. Hoje, antes de expandir alguma experiência, talvez a pergunta já não seja “até onde isso pode chegar?”, mas:
“Que lugar isso ocupa em mim?”
A resposta nem sempre vem depressa. E tudo bem.
Há uma elegância silenciosa em não forçar conclusões, não aumentar o que ainda está encontrando forma e não diminuir aquilo que nos tocou apenas porque talvez não permaneça.
A vida também acontece nesse intervalo: quando não fechamos a porta, mas deixamos de empurrá-la; quando preservamos a curiosidade sem abandonar a percepção; quando permitimos que cada experiência revele, no próprio ritmo, a dimensão que realmente possui.
Apenas a delicadeza de não oferecer profundidade a tudo o que produz intensidade — e de reconhecer, com serenidade, aquilo que sabe permanecer.

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Meri