Éramos jovens?
Éramos jovens. E continuamos jovens — mas com mais consciência.
Com o tempo, fui entendendo que juventude não mora apenas na idade.
Mora na curiosidade.
Na capacidade de se interessar.
Na coragem de rever ideias.
Na disponibilidade para aprender.
No encantamento que ainda encontra espaço, mesmo depois de tantas experiências.
Talvez o que mude não seja a juventude.
Mude o olhar.
Hoje, algumas escolhas têm outra espessura.
Algumas conversas têm outro valor.
Algumas presenças são mais bem escolhidas.
Alguns silêncios deixam de incomodar.
E aquilo que antes parecia urgência, muitas vezes, revela apenas falta de perspectiva.
Há uma liberdade muito bonita em chegar a um ponto da vida em que já não precisamos correr para ocupar todos os espaços.
Podemos escolher.
Onde estar.
Com quem construir.
O que merece energia.
O que ainda desperta curiosidade.
O que já não combina com a nossa medida.
E talvez seja justamente aí que a vitalidade ganha outra força.
Não a vitalidade da pressa, da novidade pela novidade ou da necessidade de provar alguma coisa.
Mas aquela que nasce de repertório.
De quem já atravessou mudanças.
Já errou.
Já acertou.
Já começou de novo.
Já precisou se reconstruir.
E, ainda assim, não perdeu a capacidade de se surpreender.
Gosto de pensar que amadurecer não deveria nos tornar menos intensos.
Deveria nos tornar mais conscientes daquilo que merece a nossa intensidade.
Mais atentos ao que nos mobiliza.
Mais criteriosos com o que nos atravessa.
Mais disponíveis para experiências que acrescentam — não necessariamente ao currículo, à imagem ou às expectativas, mas à vida.
Porque reputação, trajetória, maturidade e responsabilidade não precisam nos afastar da leveza.
Pelo contrário.
Quando há consciência, a leveza deixa de ser distração.
Vira escolha.
E talvez seja esse um dos privilégios do tempo: perceber que ainda podemos ser profundamente curiosos, criativos, inquietos e vivos — só que agora com mais clareza sobre aquilo que queremos cultivar.
Éramos jovens
Continuamos jovens.
Só aprendemos a escolher melhor onde colocamos a nossa presença.
E isso muda
tudo.
E você: o que o tempo refinou em você sem conseguir apagar?
* Amigo cineasta carioca, eu minha mini câmera em meados de 2005

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Meri