Gosto de gente em movimento
Estava pensando outro dia sobre encontros. Não sei exatamente o que faz duas pessoas se reconhecerem no meio de tanta gente. E nem estou falando só de amor. Pode ser amizade, trabalho, uma conversa improvável, alguém que senta ao nosso lado e, de repente, duas horas passaram e a conversa fluiu deliciosamente. Tem gente com quem a conversa simplesmente anda. Você fala uma coisa, a pessoa pega, devolve outra, surge uma história, uma gargalhada, um silêncio, muda o assunto, volta três assuntos depois... e ninguém está preocupado em causar boa impressão. Talvez eu goste disso: de gente em movimento. Não movimento de agenda lotada, produtividade, “vamos marcar um café” que jamais acontecerá — disso o mundo já está suficientemente abastecido. Movimento de presença. De lembrar e mandar uma música. De ligar porque deu vontade. De fazer um convite. De perguntar e realmente querer ouvir a resposta. E também de silêncio. Porque nem toda pausa é distância. Na música, a pausa faz parte da composiçã...