Gosto de gente em movimento
Estava pensando outro dia sobre encontros.
Não sei exatamente o que faz duas pessoas se reconhecerem no meio de tanta gente. E nem estou falando só de amor. Pode ser amizade, trabalho, uma conversa improvável, alguém que senta ao nosso lado e, de repente, duas horas passaram e a conversa fluiu deliciosamente.
Tem gente com quem a conversa simplesmente anda.
Você fala uma coisa, a pessoa pega, devolve outra, surge uma história, uma gargalhada, um silêncio, muda o assunto, volta três assuntos depois... e ninguém está preocupado em causar boa impressão.
Talvez eu goste disso: de gente em movimento.
Não movimento de agenda lotada, produtividade, “vamos marcar um café” que jamais acontecerá — disso o mundo já está suficientemente abastecido.
Movimento de presença.
De lembrar e mandar uma música. De ligar porque deu vontade. De fazer um convite. De perguntar e realmente querer ouvir a resposta.
E também de silêncio.
Porque nem toda pausa é distância. Na música, a pausa faz parte da composição. Na dança também há momentos em que os corpos se afastam. O bonito é saber que a música continua ali.
Talvez seja isso que diferencie pausa de ausência.
Tenho cada vez menos interesse em decifrar pessoas. Acho cansativo. Se para entender se existe encontro é necessário mapa, bússola, interpretação de sinais e talvez um pequeno comitê de investigação, alguma coisa já perdeu a graça. rs.
Prefiro aquilo que circula.
Sem caça. Sem captura. Sem alguém correndo atrás enquanto o outro contempla a paisagem.
Duas pessoas inteiras, vivendo suas próprias vidas, que por alguma razão têm vontade de atravessar a distância uma em direção à outra.
Às vezes dá amor.
Às vezes amizade.
Às vezes uma parceria linda.
Às vezes dá apenas uma conversa inesquecível numa terça-feira qualquer.
E já é muito.
Porque encontro, para mim, tem menos a ver com permanência e mais com presença.
Quando acontece, a gente sabe.
Tem calor. Tem curiosidade. Tem riso. Tem pausa.
Tem movimento.
E fiquei curiosa: que tipo de encontro faz você se sentir mais vivo por aí?

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Abraços,
Meri