Espaço entre as coisas
Tenho gostado cada vez mais das coisas que não chegam prontas. Conversas que começam sem assunto importante e, de repente, já foram longe. Encontros que não carregam a obrigação de explicar o futuro. Pessoas que chegam sem ocupar todos os espaços — e, ainda assim, deixam alguma coisa diferente no ambiente. Talvez exista certa elegância em não antecipar tanto a vida. Nem tudo precisa nascer sabendo o que será. Algumas relações pedem tempo, convivência, curiosidade. Precisam sobreviver ao primeiro encantamento, atravessar uma ou outra discordância, descobrir se o silêncio é confortável e se ainda existe assunto depois que as melhores histórias já foram contadas. Às vezes, não existe continuidade. Fica uma pequena saudade, um “que pena” sem drama, uma lembrança boa guardada no lugar certo. Não é pouco. Também não precisa virar patrimônio histórico tombado. Outras vezes, alguma coisa permanece. Uma vontade de continuar a conversa. De repetir o encontro. De descobrir mais uma camada. Tenho ...