Onde a vida circula
Tem coisa que a gente só descobre quando para de mexer Tem uma experiência curiosa nas relações: parar de fazer a nossa parte e mais um pouco. Não como teste. Teste é uma forma meio sofisticada de continuar tentando controlar o resultado. É parar porque, em algum momento, a gente percebe que estava fazendo hora extra num trabalho para o qual nunca foi contratado. Isso acontece em todo lugar. Na amizade em que é sempre a mesma pessoa que chama. Na família em que alguém assumiu silenciosamente a função de manter todo mundo conectado. No trabalho, quando uma parceria só funciona porque existe alguém lembrando, organizando, perguntando, remendando. Nos afetos, quando o interesse até parece existir, mas precisa de uma pequena central de operações para continuar respirando. E tem ainda aquelas relações difíceis de nomear. Pessoas que gostam da nossa presença, acompanham de longe, aparecem de vez em quando, demonstram carinho — mas não necessariamente constroem proximidade. Nada disso p...