O que o presente desperta
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| Pico do Lopo - Extrema - MG |
Tenho aprendido a reconhecer alguns instantes pelo que eles despertam, não pelo que prometem.
Há experiências que chegam sem grandes anúncios e, ainda assim, movimentam lugares inteiros dentro da gente. Trazem curiosidade, desejo, leveza, presença. Reacendem o gosto pela conversa, pelo encontro, pelo inesperado, pelo que não precisa ser imediatamente explicado.
Talvez porque, depois de tantas travessias, eu já não tenha a mesma pressa de antes.
A vida me ensinou que nem tudo precisa ser definido para ser verdadeiro. Algumas experiências simplesmente pedem espaço para acontecer.
Hoje, gosto mais desse lugar.
De perceber o que sinto sem me atropelar.
De me permitir viver sem tentar antecipar todas as respostas.
De reconhecer o que me faz bem sem transformar o presente em promessa.
De continuar intensa, mas mais inteira.
Há uma delicadeza imensa em poder desejar e, ao mesmo tempo, permanecer em si.
Em sentir o corpo vivo, a curiosidade acesa, o afeto circulando, a vontade de descobrir um pouco mais — sobre o outro, sobre a vida e também sobre quem nos tornamos depois de tudo o que atravessamos.
Talvez maturidade também seja isso: não perder a capacidade de se encantar, apenas aprender a não apressar aquilo que ainda está revelando sua forma.
Tenho gostado de viver assim: com menos previsão e mais presença.
E você: ainda consegue viver algo bonito sem precisar saber, imediatamente, onde aquilo vai dar?

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Abraços,
Meri