Entre a presença e o espaço: o movimento


 Tenho aprendido a apreciar o que não precisa ser forçado.

O interesse que se revela nos detalhes.

A presença que não invade, mas também não se ausenta.

A mensagem que chega sem pretexto.

A voz que atravessa a distância simplesmente porque houve vontade de ouvir e ser ouvido.

Gosto do tempo da descoberta. Da curiosidade que permanece acesa quando duas pessoas ainda têm muito a conhecer uma da outra. Sem pressa para definir, sem necessidade de antecipar caminhos.

Mas há algo que, para mim, faz diferença: movimento.

Não aquele que impressiona, promete ou ocupa todos os espaços. Falo do movimento sutil de quem se aproxima porque quer. De quem demonstra interesse sem precisar ser conduzido até ele.

Talvez a maturidade tenha me ensinado justamente isso: posso desejar sem perseguir, me envolver sem me perder e demonstrar sem assumir sozinha a responsabilidade pelo encontro.

Não preciso interpretar cada silêncio.

Prefiro perceber presenças.

Gosto de liberdade, mas daquela que sabe criar proximidade. De profundidade sem peso. De desejo que encontra gesto. De reciprocidade que não precisa ser contabilizada porque pode ser sentida.

E há algo especialmente bonito quando alguém não se interessa apenas pelo que mostramos de imediato.

Quando existe vontade de permanecer um pouco mais, fazer perguntas, atravessar outras camadas, descobrir o que ainda não foi dito.

Porque também quero isso.

Conhecer e ser conhecida.

Desvendar e ser desvendada.

Ir ao encontro e perceber alguém vindo ao meu.

Sem roteiro.

Sem garantias.

Mas com aquela delicada e inequívoca sensação de que, entre tantas direções possíveis, duas pessoas continuam escolhendo caminhar uma na direção da outra.

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