Mãe, mulher que empreende e cuida



Tem fases em que ser mulher é sustentar muitos lugares ao mesmo tempo.

Sou mãe. Sou profissional. Sou mulher. Sou filha, irmã, amiga. Sou aquela que cuida, organiza, decide, acolhe, trabalha, cria projetos, faz acontecer. E também sou alguém que tem desejos, sonhos, cansaços, dúvidas e vontade de viver com mais leveza.

Tenho uma rede de apoio familiar maravilhosa, e reconheço profundamente o privilégio e a importância disso. Minha família é presença, suporte, cuidado e afeto em muitos momentos da minha vida.

Ainda assim, existem responsabilidades que são minhas.

Na maternidade, especialmente quando se é divorciada, há uma carga cotidiana que muitas vezes permanece concentrada na mulher. São decisões, rotinas, imprevistos, preocupações e pequenas demandas que se acumulam sem fazer muito barulho.

Na vida profissional, também existem movimentos.

Há períodos em que os projetos avançam, outros em que desaceleram. Há a liberdade de empreender, atuar como autônoma, criar novos caminhos — e há também a instabilidade que acompanha essas escolhas. Nem todos os meses são iguais. Nem todos os planos acontecem no tempo que imaginamos.

E reconhecer isso não é se colocar no lugar de vítima.

É olhar para a própria vida com maturidade.

Tenho uma trajetória construída ao longo de muitos anos, experiência, repertório, capacidade de realização e uma rede de relações pela qual tenho enorme respeito. Sei o que posso oferecer, conheço a qualidade do meu trabalho e continuo acreditando profundamente nas possibilidades que ainda posso construir.

Mas aprendi também que potência não significa autossuficiência.

Há momentos em que precisamos uns dos outros.

E talvez seja aí que palavras como conexão, pertencimento e sororidade deixem de ser conceitos bonitos e passem a ter significado de verdade.

Apoiar pode ser indicar uma profissional em quem você acredita.

Pode ser apresentar duas pessoas.

Compartilhar um trabalho.

Convidar para um projeto.

Abrir uma conversa.

Perguntar como alguém está — e realmente querer ouvir a resposta.

Tenho uma família que me ampara, e sou profundamente grata por isso. Mas também acredito na força das redes que construímos ao longo da vida: profissionais, afetivas, femininas, humanas.

Este ano tem me convidado a olhar para tudo isso com mais consciência.

Para o que estou construindo.
Para o que precisa de tempo.
Para o que posso oferecer.
E também para aquilo que, neste momento, preciso receber.

Há muita força em saber fazer.

Mas há uma força diferente — talvez ainda mais madura — em saber reconhecer quando uma ponte também pode nos ajudar a atravessar.

Então deixo uma provocação:

quem são as mulheres da sua rede que você admira?

E, para além da admiração, o que está ao seu alcance fazer por elas hoje?

Às vezes, uma indicação, uma conexão ou uma oportunidade não é apenas um gesto profissional.

É uma forma concreta de dizer:

eu vejo você.

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