Quem é você quando ninguém precisa saber quem você é?
Às vezes, eu me pergunto: quem somos quando todos os rótulos caem?
Quando tiramos o cargo.
O sobrenome.
A formação.
O dinheiro.
A falta dele.
A profissão.
O endereço.
A aparência.
O currículo.
As conquistas.
As relações que nos validam socialmente.
Quem sobra?
Ao longo da vida, transitei por universos muito diferentes. Convivi com pessoas conhecidas, anônimas, acadêmicas, artistas, empresários, profissionais brilhantes, gente com muito dinheiro e gente atravessando momentos difíceis. Estive em ambientes sofisticados e em lugares muito simples.
E, no fim, o que mais me marcou nunca foi o status.
Foi a pessoa.
Foi quem sabia sentar à mesa e conversar de verdade.
Quem ria sem precisar impressionar.
Quem tratava o outro com respeito, independentemente de quem estivesse diante dele.
Quem tinha repertório, mas também escuta.
Quem podia ocupar lugares importantes sem precisar diminuir ninguém.
Quem continuava humano quando ninguém estava olhando.
Talvez por isso eu tenha aprendido a me interessar cada vez menos pelos títulos e cada vez mais pela essência.
Eu admiro inteligência. Admiro trajetória. Admiro competência, cultura, conhecimento, coragem, realizações.
Mas nada disso me encanta tanto quanto humanidade.
Porque, para mim, a verdadeira grandeza aparece no cotidiano: no cuidado, na gentileza, na presença, na capacidade de rir, ouvir, compartilhar, reconhecer o outro e continuar inteiro sem precisar provar o próprio valor o tempo todo.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja apenas “o que você faz?” ou “o que você conquistou?”.
Talvez seja:
Quem é você quando ninguém precisa saber quem você é?
E mais: como as pessoas se sentem quando estão perto de você?
É esse lugar que me interessa.
O ser antes do parecer.
A essência antes da embalagem.
A pessoa antes do personagem.
E você: quem é quando os seus rótulos ficam do lado de fora da sala?

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Abraços,
Meri