Compasso



Tem coisas que não chegam a ser perda.

Deixam uma leve falta.

Uma coisa quase sem nome, dessas que passam pela gente e fazem pensar, por alguns segundos:

“Que pena. Poderia ter sido bonito.”

Não precisa doer muito para tocar.

Às vezes é só uma tristeza fina.

Uma raiva breve.

Uma delicadeza que não chegou a se demorar.

Eu prefiro sentir isso inteiro.

Sem fingir indiferença.

Sem exagerar importância.

Sem fazer poesia demais de quem talvez só tenha passado.

Alguns encontros ficam.

Outros apenas abrem uma fresta.

E a gente segue.

Com um pouco mais de clareza.

Um pouco menos de fantasia.

E aquele velho deboche elegante de quem já entendeu que não vale dançar sozinha quando a música pede dois.

Talvez seja só isso.

Reconhecer o que tocou.

Agradecer o instante.

E não insistir no que não encontrou ritmo.

O resto?

A vida ajeita.

E, quando quer, muda a música.

Porque compasso bom é aquele que não precisa ser sustentado por uma pessoa só.

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