Raízes que sustentam, asas que reconhecem o caminho
Gosto de pensar que algumas forças não se anulam. Elas se refinam quando aprendemos a habitá-las por inteiro. Há em mim uma relação profunda com o pertencimento. Com a casa, com os vínculos, com as pessoas que atravessam o tempo, com a memória que não aprisiona, mas oferece chão. Ao mesmo tempo, existe uma parte que precisa de movimento, de travessia, de horizonte. Não vejo oposição nisso. Raízes fortes não impedem o voo. Muitas vezes, são justamente o que torna possível partir sem se perder. Talvez por isso eu possa desejar estabilidade sem desejar imobilidade. Gostar de casa sem abrir mão do mundo. Valorizar vínculos profundos sem confundir proximidade com posse. Apreciar o que permanece e, ainda assim, reconhecer a potência do que muda. Há beleza nessa coexistência. A raiz sustenta. A asa amplia. Uma oferece pertencimento. A outra lembra que pertencimento não deveria exigir redução. Também penso nisso quando observo as relações. Não me interessa um vínculo que peça para alguém...