Deixo a porta destrancada
Uma carta de emanação para mulheres que continuam disponíveis para a vida Não estou esperando. Tenho coisas demais acontecendo para ficar sentada na antessala da vida aguardando alguma coisa chegar. Mas também não quero trancar a porta. Talvez essa seja uma das delicadezas da maturidade: continuar inteira sem se tornar inacessível. A vida vai nos atravessando. Algumas experiências ampliam. Outras reorganizam. Há encontros que permanecem, outros que mudam de lugar e alguns que simplesmente cumprem seu tempo. E seguimos. Mais conscientes de algumas coisas, completamente iniciantes em outras. Depois de certas travessias, porém, existe uma tentação silenciosa: construir muros muito bem elaborados e chamar isso de independência. A gente aprende a resolver. A não precisar. A organizar a própria vida. Constrói uma casa interna bonita, coloca as coisas no lugar e, quando percebe, talvez esteja protegendo tanto aquilo que conquistou que qualquer possibilidade de chegada parece uma ameaça ...