O filho sem nome
O filho sem nome - por Merikol Duarte
O ano era 2013, pra uns um ano ímpar, pra outros, ano par, devido a somatória dos números. Deixemos este assunto para os entendidos.
Há alguns meses, conheci o “filho sem nome" do Sr. Antenor e da Sra. Bernadete; que escolheu seu próprio nome quando tinha uns 5 ou 6 anos de idade e desde então, passou a se chamar Ari Benatti (filho caçula). Fiquei encantada com tal história.
Ari Benatti, que até os 5 ou 6 anos não tinha nome, era chamado de “Om” (o seu pai que o apelidara assim, pois era praticante de yoga e, em primeiro lugar, a imagem que surgia em sua mente era a de seu filho caçula), teve uma infância diferente dos meninos de sua cidade. Desde pequeno, mudou algumas vezes de bairro e até de cidade, pois seu pai, era um inquieto artista sonhador. Precisava das mudanças para se encontrar.
Antes de “Om” nascer, o casal já tinha 4 filhos, 2 meninas e 2 meninos. E a filha mais velha, que se chamava Clara, não gostava de seu nome e nem o filho do meio, cujo nome era João Roberto, também não. E foi nesse momento, que Antenor decidiu, que se o casal tivesse mais filhos, eles próprios teriam que escolher os seus nomes, pois estava cansado das reclamações de seus filhos. E foi assim...
Certo dia, seus pais precisaram matricular os filhos numa escola e eis que a coordenadora pediu os documentos. Documentos?! Vixi, vamos ter que providenciar o registro do menino. E foi nesse momento que “Om” resolveu escolher o seu nome. E em homenagem ao adorável e idolatrado avô “Ariovaldo Ferdinando Benatti”, que ele próprio se batizou de Ari Benatti.
Antenor, o pai artista, sempre foi um cara visionário, mente livre, nada consumista, aliás, consumia sim, os seus sonhos e de algum modo, tentava retrata-los em suas esculturas, em seus quadros. Sua inquietação perturbava a mente de Dona Bernadete, mais conhecida como Dona Berna, que chegou a passar fome, por conta dos delírios de seu homem. Ela o amava, mas não o compreendia. Antenor não queria vender as suas obras, pois dizia que se o fizesse, estaria matando um pedaço de sua história. Ele as amava como a um filho. Cada peça era única.
Dona Berna, chegou a pegar alguns quadros e esculturas escondidos para vender e assim, colocar comida no prato de seus cinco filhos, porque se dependesse dos delírios e divagações de seu marido, sabe se lá como teria sido a vida desses rebentos. Ele era um sonhador.
Antenor era uma pessoa do bem, todos os vizinhos e moradores da região admiravam o seu trabalho, no entanto, estava desanimado com tanta maldade que via no mundo. Foi definhando aos poucos...
Ari sempre admirou o jeito amalucado de seu pai. Admirava o pai de tal forma que não compreendia, não sabia se isso era amor, mas sentia um profundo carinho pelo seu pai. Aprendeu muito com suas dores, loucuras, suas pinturas, suas composições, seu violão. E foi a partir de suas lembranças, que Ari começou a guardar em sua mente as imagens de tudo o que via e sentia do mundo afora. Virou fotógrafo. Desses fotógrafos bons, que gostam de bicho, de gente... passou uma temporada em Portugal. Aos 16 anos, colocou uma mochila nas costas e saiu rumo a Europa. Quis correr mundo, como diziam em Cataguazes, sua cidade natal.
Em Portugal, conheceu Catarina. Encantou-se com seu olhar. Casou-se aos 18 anos. Catarina engravidou. A portuguesa linda, de olhos verdes, cabelos castanhos era muito pra cima, mulher livre, sorridente, dessas que faz o homem perder as estribeiras. Depois da gravidez, a linda moça teve depressão pós-parto. Ari, passou a cuidar do filho e da esposa, contudo, não sabia como agir nesta situação. E então resolveu voltar para o Brasil, para ficar perto de sua família. E vieram os 3... Ari não aguentou a pressão e resolveu se separar. Apaixonou-se novamente. Casou-se com Lorena. E eis que a moça engravidou de uma linda menina. Era pai de novo. E em meio a paixão avassaladora, resolveram juntas as meias. Morar junto foi um erro. Separou-se. Mudou-se de cidade. E mais uma vez, resolveu partir para outro destino sozinho, colocou sua mochila nas costas, entrou em seu 4x4 e seguiu em direção a São Paulo.
Em suas veias sempre correu a necessidade de se apaixonar pela vida, pelos bichos, pela arte, pelas pessoas. Ele era um sonhador assim como seu pai. Um ser sensível, cheio de amor pra dar. E foi ali, no templo Zu-Lai que começou a nossa história virtual.
Entre mensagens e ligações, resolvemos marcar o encontro ao vivo e a cores. Madelon é o seu nome? (ele me perguntou com curiosidade no olhar). Eu respondi que sim, que não era um apelido.
O ano era 2013, pra uns um ano ímpar, pra outros, ano par, devido a somatória dos números. Deixemos este assunto para os entendidos.
Há alguns meses, conheci o “filho sem nome" do Sr. Antenor e da Sra. Bernadete; que escolheu seu próprio nome quando tinha uns 5 ou 6 anos de idade e desde então, passou a se chamar Ari Benatti (filho caçula). Fiquei encantada com tal história.
Ari Benatti, que até os 5 ou 6 anos não tinha nome, era chamado de “Om” (o seu pai que o apelidara assim, pois era praticante de yoga e, em primeiro lugar, a imagem que surgia em sua mente era a de seu filho caçula), teve uma infância diferente dos meninos de sua cidade. Desde pequeno, mudou algumas vezes de bairro e até de cidade, pois seu pai, era um inquieto artista sonhador. Precisava das mudanças para se encontrar.
Antes de “Om” nascer, o casal já tinha 4 filhos, 2 meninas e 2 meninos. E a filha mais velha, que se chamava Clara, não gostava de seu nome e nem o filho do meio, cujo nome era João Roberto, também não. E foi nesse momento, que Antenor decidiu, que se o casal tivesse mais filhos, eles próprios teriam que escolher os seus nomes, pois estava cansado das reclamações de seus filhos. E foi assim...
Certo dia, seus pais precisaram matricular os filhos numa escola e eis que a coordenadora pediu os documentos. Documentos?! Vixi, vamos ter que providenciar o registro do menino. E foi nesse momento que “Om” resolveu escolher o seu nome. E em homenagem ao adorável e idolatrado avô “Ariovaldo Ferdinando Benatti”, que ele próprio se batizou de Ari Benatti.
Antenor, o pai artista, sempre foi um cara visionário, mente livre, nada consumista, aliás, consumia sim, os seus sonhos e de algum modo, tentava retrata-los em suas esculturas, em seus quadros. Sua inquietação perturbava a mente de Dona Bernadete, mais conhecida como Dona Berna, que chegou a passar fome, por conta dos delírios de seu homem. Ela o amava, mas não o compreendia. Antenor não queria vender as suas obras, pois dizia que se o fizesse, estaria matando um pedaço de sua história. Ele as amava como a um filho. Cada peça era única.
Dona Berna, chegou a pegar alguns quadros e esculturas escondidos para vender e assim, colocar comida no prato de seus cinco filhos, porque se dependesse dos delírios e divagações de seu marido, sabe se lá como teria sido a vida desses rebentos. Ele era um sonhador.
Antenor era uma pessoa do bem, todos os vizinhos e moradores da região admiravam o seu trabalho, no entanto, estava desanimado com tanta maldade que via no mundo. Foi definhando aos poucos...
Ari sempre admirou o jeito amalucado de seu pai. Admirava o pai de tal forma que não compreendia, não sabia se isso era amor, mas sentia um profundo carinho pelo seu pai. Aprendeu muito com suas dores, loucuras, suas pinturas, suas composições, seu violão. E foi a partir de suas lembranças, que Ari começou a guardar em sua mente as imagens de tudo o que via e sentia do mundo afora. Virou fotógrafo. Desses fotógrafos bons, que gostam de bicho, de gente... passou uma temporada em Portugal. Aos 16 anos, colocou uma mochila nas costas e saiu rumo a Europa. Quis correr mundo, como diziam em Cataguazes, sua cidade natal.
Em Portugal, conheceu Catarina. Encantou-se com seu olhar. Casou-se aos 18 anos. Catarina engravidou. A portuguesa linda, de olhos verdes, cabelos castanhos era muito pra cima, mulher livre, sorridente, dessas que faz o homem perder as estribeiras. Depois da gravidez, a linda moça teve depressão pós-parto. Ari, passou a cuidar do filho e da esposa, contudo, não sabia como agir nesta situação. E então resolveu voltar para o Brasil, para ficar perto de sua família. E vieram os 3... Ari não aguentou a pressão e resolveu se separar. Apaixonou-se novamente. Casou-se com Lorena. E eis que a moça engravidou de uma linda menina. Era pai de novo. E em meio a paixão avassaladora, resolveram juntas as meias. Morar junto foi um erro. Separou-se. Mudou-se de cidade. E mais uma vez, resolveu partir para outro destino sozinho, colocou sua mochila nas costas, entrou em seu 4x4 e seguiu em direção a São Paulo.
Em suas veias sempre correu a necessidade de se apaixonar pela vida, pelos bichos, pela arte, pelas pessoas. Ele era um sonhador assim como seu pai. Um ser sensível, cheio de amor pra dar. E foi ali, no templo Zu-Lai que começou a nossa história virtual.
Entre mensagens e ligações, resolvemos marcar o encontro ao vivo e a cores. Madelon é o seu nome? (ele me perguntou com curiosidade no olhar). Eu respondi que sim, que não era um apelido.
Era meu verdadeiro nome. Ele era um ser extremamente curioso, queria saber a origem, significado, quem eram meus pais... Foi paixão à primeira vista, ao primeiro gole de café, a primeira mordida no pão de queijo. Entre cafés e palavras, ficamos ali a tarde inteira a papear. Palavras iam e vinham. Olhares penetrantes. Sorrisos largos. O dia pareceu tão pequeno diante de tanto encontro. Era pura magia...
Ari, aquariano, 43 anos, com seu jeito maroto e olhar de menino num corpo másculo de homem, conseguiu me encantar. Surpreendeu-me a cada instante. A sensação que eu tinha era como se estivesse sonhando com um homem de verdade, desses tido como cavalheiros, que abrem a porta do carro, elogiam o nosso olhar, a nossa risada, não querem rachar conta, pois acham que quem deve pagar a conta é o homem... um ser encantador, lindo, sensual... sempre que eu queria dividir a conta ele terminava a frase dizendo: “por favor, deixa que eu pago, você paga o nosso café quando formos a Paris”, era um sonho real. E era tão real que às vezes eu pensei que pudesse estar sonhando e parava para respirar, fechava os olhos e olhava novamente para saber se aquilo estava mesmo acontecendo. E para a minha felicidade, é claro que estava. Ele estava ali ao meu lado. Observava-me com tanto carinho e amor no olhar que até me emocionava.
Os nossos dias foram regados a muita música de qualidade, descobertas, coincidências, confidências, dias chuvosos, aconchego, abraços...
Os nossos dias foram assim: pisando na grama molhada apreciávamos a aranha que tecia a sua rede, corríamos e brincávamos pelo quintal com a Jupiter, uma cachorrinha incrivelmente sapeca e amorosa. Ficávamos até altas horas conversando dentro do carro, em frente a padaria da vila, comíamos os deliciosos lanches dali, observávamos a noite que caía, a lua que sorria e era tão escandalosa, que nos fazia sentir aquela sensação deliciosa e não conseguíamos nos desgrudar dos efeitos que ela causava em nossa pele...
E a partir desses momentos intensos vividos ao seu lado, comecei a acreditar em reencontro de almas e não em almas gêmeas.
Tínhamos planos para conhecer tantos lugares juntos, queríamos ir a Índia, ao Nepal, percorrer as muralhas da China. Combinamos de assistir a um show de Perota Chingo no Chile, degustar o bom vinho de Mendoza, fazer off-road na Bahia, as vontades eram tantas, os desejos eram enormes. Planos, vontades, desejos, sonhos... a vida tinha mais cor e sabor. Éramos dois. Sim sempre dois e nunca um, pois acreditávamos na individualidade do Ser. Acreditávamos que para um relacionamento ser próspero deveríamos respeitar o espaço e o momento do outro. E com isso, a nossa vida em comunhão era sublime...
(Baseada em fatos reais. Os nomes e outros detalhes foram trocados para preservar as pessoas).
Ari, aquariano, 43 anos, com seu jeito maroto e olhar de menino num corpo másculo de homem, conseguiu me encantar. Surpreendeu-me a cada instante. A sensação que eu tinha era como se estivesse sonhando com um homem de verdade, desses tido como cavalheiros, que abrem a porta do carro, elogiam o nosso olhar, a nossa risada, não querem rachar conta, pois acham que quem deve pagar a conta é o homem... um ser encantador, lindo, sensual... sempre que eu queria dividir a conta ele terminava a frase dizendo: “por favor, deixa que eu pago, você paga o nosso café quando formos a Paris”, era um sonho real. E era tão real que às vezes eu pensei que pudesse estar sonhando e parava para respirar, fechava os olhos e olhava novamente para saber se aquilo estava mesmo acontecendo. E para a minha felicidade, é claro que estava. Ele estava ali ao meu lado. Observava-me com tanto carinho e amor no olhar que até me emocionava.
Os nossos dias foram regados a muita música de qualidade, descobertas, coincidências, confidências, dias chuvosos, aconchego, abraços...
Os nossos dias foram assim: pisando na grama molhada apreciávamos a aranha que tecia a sua rede, corríamos e brincávamos pelo quintal com a Jupiter, uma cachorrinha incrivelmente sapeca e amorosa. Ficávamos até altas horas conversando dentro do carro, em frente a padaria da vila, comíamos os deliciosos lanches dali, observávamos a noite que caía, a lua que sorria e era tão escandalosa, que nos fazia sentir aquela sensação deliciosa e não conseguíamos nos desgrudar dos efeitos que ela causava em nossa pele...
E a partir desses momentos intensos vividos ao seu lado, comecei a acreditar em reencontro de almas e não em almas gêmeas.
Tínhamos planos para conhecer tantos lugares juntos, queríamos ir a Índia, ao Nepal, percorrer as muralhas da China. Combinamos de assistir a um show de Perota Chingo no Chile, degustar o bom vinho de Mendoza, fazer off-road na Bahia, as vontades eram tantas, os desejos eram enormes. Planos, vontades, desejos, sonhos... a vida tinha mais cor e sabor. Éramos dois. Sim sempre dois e nunca um, pois acreditávamos na individualidade do Ser. Acreditávamos que para um relacionamento ser próspero deveríamos respeitar o espaço e o momento do outro. E com isso, a nossa vida em comunhão era sublime...
(Baseada em fatos reais. Os nomes e outros detalhes foram trocados para preservar as pessoas).
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