A mulher do Templo

...
Ele - Vamos tomar um café?
Ela - Vamos. Onde? Ok. Nos vemos lá.

E lá se foi o encontro. E papo vai, papo vem. E aquele delicioso encontro de palavras e vozes, não queria se findar. Queriam ficar ali por horas a conversar. Foi o encontro dos olhos, dos sons, dos cheiros.
Decidiram sair dali, foram pra outro lugar e outro. E em todos eles, a troca foi intensa. Até no momento em que resolveram baixar os bancos do carro em frente a padaria 24 horas, onde haviam saído e entrado diversas vezes, pra conversar. E no aconchego do carro surgiu a cumplicidade, a curiosidade. E de lá seguiram... Foi tudo tão belo, intenso, verdadeiro. Sem palavras para descrever esse encontro de signos.
E de repente, antes dela fechar a porta do carro, ele entra e tasca aquele beijo de cinema. E seguiu sorrindo de orelha a orelha até chegar em casa.

Só que aquele tal  "final feliz"  não foi assim tão feliz. No dia seguinte, ele não ligou. Respondeu apenas a um SMS. E nos outros dias, apenas trocavam SMS. E num deles, até rolou de dizer que estava com saudades dela.
(Penso, se a pessoa esta mesmo com saudades, ligaria, certo? Só que não. É, pois é o que pensava também.)
Opa, o telefone toca: 

- Ele - oi, e aí tudo bem? 
- Ela - tudo e contigo, tudo bem?
- Ela - olha não posso falar agora, depois falamos.

E então, ela deixa uma mensagem para saber se no dia seguinte ele quer almoçar com ela. A resposta demora. Sem respostas. Ela acha que as coisas mudaram. Todo aquele furor, tensão, pareciam estar mudando a direção.  Ele diz que não, que nada mudou. Que aqueles dias incríveis estão tão presentes em sua vida, que ele não quer mais acordar. Disse que foi abduzido por aquele momento, aqueles dias incríveis em que os dois se tornaram um. Fizeram tantas coisas juntos. Se amaram diversas vezes, tomaram banho de chuva, passearam juntos...  mas ela sentiu em suas palavras, em sua voz, que sim. Que algo havia mudado. E aquilo que parecia que teria um belo inicio, nem brotou.
E eis que surgem as vontades de chamar a pessoa para curtir os mesmos lugares interessantes, shows, oficinas, viagens, novos sabores, novos ares, mas a pessoa não esta mais ali, se foi, não ficou. Não se permitiu vivenciar cada novo momento ao lado da mulher do templo.

Comentários

  1. Anônimo16:40

    Se eu fosse esse cara, jamais largaria a mulher assim.

    Lucca

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Meri