Entrevista com Alexandre Leeh
Alexandre Leeh é músico, cantor, compositor, poeta e brasileiro.
Formado em Administração pela FAPA de Porto Alegre, atuou por 10 anos como Consultor Financeiro e Comercial de empresas como HSBC e Porto Seguro.
Nascido em Porto Alegre, desde a infância convive com um caldeirão de influências que formaram sua personalidade musical e artística. Do samba-batuque de Clara Nunes ao funk groove de Stevie Wonder. MPB, Rock, Folk, Britpop. Influências e referências do seu universo musical.
1. Cantor, compositor, produtor, músico... é possivel se desdobrar em vários? Como é o seu dia-a-dia?
A multiplicidade ajuda neste caso. Mas se for para por ordem nas coisas, costumo dizer que sou um compositor que canta e que aprendeu a gostar dos bastidores, um curioso por natureza que obviamente precisava entender como funciona tudo até chegar o momento do palco. O climax. Meu dia-a-dia é corrido e louco. Produzo cinema, estou em contato com meus parceiros musicais, ensaios, gravações e geralmente no final da noite ou madrugada procuro esboçar alguma composição nova ou ideia.
2. Defina quem é o Leeh.
Um sagitariano com ascendente em touro. Teimoso, sonhador e livre. Gosto de criar, gosto de imaginar milhares de maneiras de me expressar através da arte. Tenho um prazer enorme pela vida e pelas pessoas com as quais aprendo todos os dias. Se fosse pra definir em uma palavra eu diria que sou um curioso.
3. Quais são as suas influências musicais?
Beatles sempre. Foi o que me fez aprender a tocar. Mas antes disso já ouvia samba na casa da minha vó e ficava lá cantando Beth Carvalho e Clara Nunes. Minha tia adorava o Agepê, então eu quase virei um sambista acidental. Mas o rock tem a energia que combina comigo. Hoje Big Star, Wilco e Sondre Lerche é o que tem rodado direto no player e influenciado meu trabalho. Mas os clássicos estão sempre presentes. De Led Zeppelin a Marvin Gaye.
4. O que sustenta o artista hoje? Dá para se viver apenas da música?
Projetos e parceria. Acho que é possível viver sim, mas depende de muitos fatores além de um pouco de sorte. Olhando de uma forma mais realista, o artista independente precisa ter projetos. Eu tenho o meu trabalho solo, tenho um projeto chamado Nakumbalê que mistura samba-batuque-black music e tenho pensado em flertar com música eletrônica. Acho importante ter idéias e buscar meios de tornar realidade. A soma disso e muito trabalho te permitem viver apenas da arte.
5. Com a falência das gravadoras, os selos independentes se tornaram portas de entrada?
A gravadora ainda tem o seu papel, como bons distribuidores ou promotores de artistas. Hoje em dia tu não precisa ir para uma gravadora pra realizar teu CD. Os selos tem se mostrado um caminho mais interessante e antenado com as novas mídias, mas penso que dá pra gerenciar uma carreira de forma eficiente e estabelecer parcerias naquilo que for necessário, seja com selos ou gravadoras para levar o trabalho cada vez mais longe.
6. Como você encara essa explosão musical do sertanejo universitário e outras coisas que estão surgindo neste cenário? Você classificaria isso como “música” ou como uma “onda passageira”?
É uma onda passageira, como já foi o pagode, o axé e o próprio rock nacional na década de 80. E como toda a onda, a tendência é esgotar e sobreviver alguns poucos que se destacam e são mais marcantes e originais. Todo o tipo de música tem coisas boas e ruins. Particularmente não gosto de sertanejo, mas vejo artistas que com certeza permanecerão por um longo tempo.Outros irão desaparecer como aconteceu com outros estilos em décadas passadas.
7. Pra você o que é uma boa música? Quem são os seus favoritos?
Boa música é aquela que me toca. Não me ligo em estilo. Música precisa ter alma, verdade, emoção. Meus favoritos tem essa característica. Dá uma lista enorme! Pra citar um exemplo, tenho ouvido Piers Faccini que lembra um pouco o Bob Dylan com algo meio parisiense e não consigo deixar de ouvir. Portanto, já é um dos favoritos.
8. Atualmente, que tipo de som você está ouvindo? Quais são os novos artistas que estão atraindo os seus ouvidos?
Adele, Wilco, Foster de People, Sondre Lerche, Jet (nem tão novo assim), George Harrison (redescobrindo a carreira solo dele), Tv on The Radio, Piers Faccini, Ryam Adams e nacionais como o Marcelo Jeneci. O novo da Mallu Magalhães é muito bom. O ao vivo do Arnaldo Antunes vale cada centavo.
9. Como você encara o cenário mundial musical atual?
Mais democrático. Antigamente tu tinha acesso aquilo que as gravadoras colocavam no mercado. Hoje qualquer um grava, faz um vídeo e disponibiliza. De repente tu estas ali curtindo um cantor ou banda que jamais tocaria no rádio. Espero que isso evolua cada vez mais.
10. Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória profissional?
São 5 anos até aqui. Uma história recente ainda. Mas destaco dois momentos. A primeira vez que toquei em São Paulo com apenas 2 meses de um trabalho que ainda nem sabia bem o que seria. Sair de Porto Alegre pra tocar em Sampa foi marcante porque me fez acreditar no que estava fazendo. Outro momento foi um show em Torres no Rio Grande de Sul que por vários problemas quase não aconteceu e resolvi levar até o fim e recebi um reconhecimento incrível das pessoas que estavam presentes e que perceberam o desgaste que sofri para realizá-lo. Dois momentos que guardo comigo pro resto da vida.
11. Qual a sua relação com o palco? Sempre foi destemido, ou rola uma timidez na hora?
Sou bem tímido até pisar no palco. Alguns amigos até duvidavam que eu fosse cantor pela postura um tanto normal que eu tenho no dia-a-dia. Mas é algo inexplicável. Sinto uma energia muito forte e extravaso ela naquele momento. Talvez por isso eu diga que tem o Alexandre e tem o Leeh.
12. Você acredita que a imprensa determina o sucesso e o fracasso de um artista?
Quem determina o sucesso ou fracasso é o público. A imprensa te promove. Faz com que desperte o interesse do público em te conhecer, te ouvir. Mas é o público que determina se tu vais continuar e ter sucesso ou dar adeus. Se não tiver verdade, mesmo com toda a promoção tu não dura. Arte é identificação, expressão. As pessoas gostam porque se vêem naquilo que tu faz, escreve, canta.
13. Blog, microblog, site, facebook , myspace... são essenciais para a visibilidade do artista? Como você vê isso?
Muito. As mídias eletrônicas e redes sociais são o ponto de partida do artista com o público que ele quer atingir. Eu faço arte, música. Tenho um estilo, influências. Logo, preciso saber quem são as pessoas que se identificam com isso e chegar nelas, divulgar meu trabalho junto a estas pessoas. E estas são as melhores ferramentas para um artista independente.
14. “Donwload Free” é roubar o artista?
Hoje em dia para um artista independente e com pouca verba para promover o trabalho, o download free é um caminho para difundir o trabalho e alcançar o público que deseja. Disseminar para se tornar cada vez mais conhecido. Só assim os shows se tornam viáveis.
15. Você tem uma filha que está entrando na fase da pré-adolescência, você acha que ela seguirá os seus passos, ou tomará o seu próprio caminho. Qual é o seu sonho com relação a ela? E qual é o sonho dela com relação ao lado profissional. Ela já pensa a respeito disso?
Penso que ela precisa ter as escolhas dela e procuro incentivá-la a isso. Hoje ela faz dança e demonstra talento. Tem apenas 12 anos e acredito que muita coisa ainda vá mudar. Gosto da ideia de vê-la militando com arte como eu, mas procuro respeitar o tempo dela. Acho que independente de tornar isso algo profissional, expressar através da arte é bom pra alma e torna o ser humano melhor. Meu sonho é que ela seja feliz.
16. Que conselho você daria ao artista/banda que pensa em iniciar a sua carreira musical nos dias atuais.
Tenha paciência e esteja preparado para um caminho longo, tortuoso, de poucos incentivos onde você vai conviver com perdas, desilusões, cobranças, preconceitos, mas que acima de tudo isso, se você ama realmente e acredita no que faz, fatalmente será feliz. Viver isso diariamente é um presente. Independente se tu vais ganhar mil ou hum milhão. Organize-se, dedique-se, ame o que faz e boa sorte!
CONTATOS:
ALEXANDRE LEEH
alexandrepoa@gmail.com
55 51 9431.8416

Comentários
Postar um comentário
Que bom que deixou o seu comentário.
Volte ao blog sempre que quiser.
Abraços,
Meri