Entrevista com Nô Stopa


1.                  Quem é Nô Stopa? Cantora, compositora, mãe, esposa...  é possivel se desdobrar em várias? Como é o seu dia-a-dia?
Aniela Stopa Juste. Cantora e compositora desde os 20 anos, bailarina e circense desde criança, esposa e mãe de agora.
O tempo é a gente quem faz.  Não é fácil conciliar tudo, mas é preciso. O artista independente tem que fazer muito malabarismo (no meu caso, literalmente) pra bancar seu sonho e sua família. Me divido entre o meu trabalho autoral, a Banda Mirim e o grupo  de dança Giz de Cena; além de cuidar da saúde, do espírito, da casa, família e dos amigos.

2.                  Qual foi a sensação que você sentiu ao realizar o sonho de gravar o seu primeiro CD?
Na época criei muita expectativa em relação ao primeiro trabalho, mas a realidade mostra que não é tão fácil assim. Depois que o disco está pronto é que a batalha começa. Acho que a principal sensação foi o amadurecimento.

3.                  "Quem se dispara não se dissipa". De onde vem a sua inspiração para escrever as suas canções?
Do ser humano, da vida. Minhas músicas são quase auto-biográficas, confessionais.

4.                  Novo Prático Coração é o seu segundo CD, como estão as suas expectativas com relação a ele?
O lançamento oficial foi em maio/2010, no SESC Vila Mariana. Fizemos shows em alguns espaços alternativos de São Paulo, nos apresentamos em São Bernardo do Campo, em São Francisco Xavier, em alguns Sescs como Consolação, São Caetano, São José dos Campos, Presidente Prudente, fiz Virada Cultural e Festival de Inverno de Paranapiacaba. Na real já não tinha muita expectativa com esse trabalho, mas no fim do ano passado me surpreendi com a contemplação de um projeto, ainda em fase de captação.  É a primeira vez que sou contemplada com meu trabalho autoral.

5.                  Quais são as suas influências musicais? Ultimamente, quais são os novos artistas que estão atraindo os seus ouvidos?
Cresci ouvindo Beatles, Bob Dylan e a musica popular do meu pai, que também bebeu do rock e do folk. Depois descobri Mutantes, Secos e Molhados, Clube da Esquina, Renato Teixeira. Comecei a compor quando escutei o primeiro disco do Zeca Baleiro.  Gosto do que meus amigos fazem. Roberta Campos, Claudia Dorey, Tiê, Chico Teixeira... é uma geração muito talentosa, diversificada e democrática! E aprendo diariamente com o elenco talentoso da minha querida Banda Mirim.


6.                  O que sustenta o artista hoje? Dá para se viver apenas da música?
Além do meu trabalho autoral, eu sou integrante da Banda Mirim (grupo de teatro musical para crianças) e do grupo de dança Giz de Cena (também para o público infantil, onde eu toco, canto, componho e também danço). Tenho conseguido viver de música, mas de alguma forma aliada ao teatro, à dança e ao circo. 

7.                  Com a falência das gravadoras, os selos independentes se tornaram portas de entrada?
O artista independente está conquistando um espaço que antes era reservado para os ‘grandes’ e hoje temos a internet como aliada e forte ferramenta de divulgação. Claro que a estrutura da gravadora ainda ajuda muito, mas é possível inventar caminhos próprios.

8.                  Como você encara essa explosão musical do funk brasileiro e outras coisas que estão surgindo neste cenário? Você classificaria isso como “música”?
A música tem de ser democrática. Acho que tem espaço pra todo mundo.

9.                  O que você acha que é uma boa música? Quem são os seus favoritos?
Boa música pra mim é aquela que te toca.. Não importa o estilo e nem a escola. Minha banda favorita hoje é Radio Head. Fui no show dos caras e achei impecável.

10.              Atualmente, que tipo de som você está ouvindo?
Continuo ouvindo folk e rock, e pesquisando sempre as referencias que leio em algum livro e no jornal. Não conheço muita coisa e minha memória é péssima, eu reconheço, mas não me acomodo, adoro ficar na internet descobrindo quem foram os ídolos dos meus ídolos.  No momento to lendo o livro “Só Garotos” da Patti Smith, e descobrindo The Shirelles, Grace Slick  e outros malucos da época.

11.              Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória profissional?
A Virada Cultural de 2010, onde me apresentei sozinha, voz e violão, pela primeira vez. Tive um retorno surpreendente do público, que  lotou o Pátio do Colégio, sabia cantar minhas musicas e me recebeu com muito carinho.

12.              Qual a sua relação com o palco? Sempre foi destemida, ou rola uma timidez?
Meu primeiro palco foi o picadeiro, aos 13 anos. Rola sempre um frio na barriga, uma espécie de adrenalina e medo, mas são positivos, me ajudam a fincar os pés no chão e me fortalecer. Eu adoro me apresentar e sinto muita falta quando não estou em cena.

13.              Você acredita que a imprensa determina o sucesso e o fracasso de um artista?
Acredito que a imprensa pode sim dar uma grande força na carreira de um artista. Mas não que ela determinará o sucesso ou o fracasso. Isso depende muito da insistência de cada um. Eu tenho recebido muitos nãos e várias portas na cara, não sei o motivo... acredito no que faço e mesmo às vezes me  sentindo invisível, eu continuo.

14.              “Donwload Free” é roubar o artista?
Não. Eu baixo música e disponibilizo meu som pra quem quer escutar. Pra artistas independentes, é um grande lance.

15.              Que conselho você daria ao artista/banda que pensa em iniciar a sua carreira musical nos dias atuais.
Na prática: faca um planejamento antes de começar a gravar um disco. Eu quebrei a cabeça no meu segundo disco por falta de planejamento.
No sonho: seja autêntico, não queira parecer com ninguém, faça o som que você acredita. Não fique correndo atrás da onda, seja a onda, uma hora o mundo passa e te leva.

Comentários

  1. Bacana e sincera. Li nas palavras da Nô o que já sentia ouvindo as suas canções. Parabéns pela entrevista.

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  2. Cris Rosa23:17

    Adorável e franca entrevista com a querida Nô Stopa! Passarinha!!!!

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  3. Anônimo10:13

    Marcele Rodrigues White

    Seu estilo de entrevista é único:)dá vontade de ler

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  4. Anônimo11:21

    Ducaralho!

    John

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  5. Anônimo12:56

    Que manero essa entrevista, cara!
    Muito boa mesmo. Gosto da Nô e do pai dela. Grandes talentos!

    Bj.
    Val

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  6. Anônimo11:53

    A No eh linda. Que bom saber um pouco mais da trajetória dela. Parabéns a todos.

    Falou.

    João

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  7. Anônimo10:05

    Que bonito isso. Tem verdade e alma.

    Parabéns as duas.

    Abraços.
    Lu

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  8. Anônimo08:58

    Exemplo de coragem, amor e perseverança.

    Parabéns pras duas.

    Abraços.

    João

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