A jornada da nossa vida diária - Pedro Fernando Quezada


"Sempre que acordamos toda manhã traçamos nossas metas, estamos saindo para uma jornada, uma viagem diária que pode tanto ser totalmente planejada e previsível, como totalmente inédita e desafiadora.


As viagens que mais me motivam são aquelas que desafiam o limite da minha capacidade, sempre preferi correr o risco do fracasso do que ter a certeza de que minhas realizações não trariam contribuição alguma.
 
Nossa cultura ocidental sempre valorizou aqueles que desafiaram o desconhecido em nome de conquistas que alargassem as fronteiras do nosso mundo. Todos por exemplo já ouviram falar de Fernão de Magalhães, mas poucos sabem que de nada teriam valido suas descobertas se não fosse o trabalho e sacrifício de sua incansável tripulação, em especial de Antônio Pigafetta, que registrou toda a viagem em dois lugares: seu diário de bordo e sua memória. Ele foi o equivalente à caixa preta das atuais aeronaves.
Fernão e a maioria dos tripulantes morreram na segunda metade do empreendimento de dar a volta ao mundo, com o objetivo de descobrir uma rota lucrativa de comércio de especiarias com as índias, em decorrência de decisões mal planejadas, depois de já ter descoberto o estreito batizado com seu nome, viabilizando uma nova rota de comércio. Porém, graças a ter reunido a equipe com persistência suficiente para completar a viagem, Pigafetta reescreveu o diário de memória para que o conhecimento pudesse ser passado adiante, pois o diário de bordo original havia sido confiscado pela coroa espanhola assim que retornaram.
Antonio Pigafetta 
Vemos nesse fato histórico que ter alcancado o grande objetivo é apenas metade da viagem, Fernão dependeu do trabalho em equipe para concluir todo o projeto, algo que fica óbvio quando manejamos uma embarcação. Quando o comandante e a tripulação não se entendem, seja numa viagem de exploração ou competição de vela, é certo que não serão os primeiros a atingir o objetivo. 

É esse mesmo cenário de desafios que enfrentamos tanto em nossa vida diária, de modo individual, como na vida corporativa, de modo coletivo. Quando nos propomos a realização de um projeto, estruturado em princípio, meio e fim, temos de  escolher os objetivos a realizar (e tão importante quanto o que vamos realizar é definir o que não vamos realizar - isso teria poupado a vida de Fernão), efetuar o planejamento necessário para programar as atividades adequadamente, reservar os recursos conforme essas atividades, identificar os pontos de controle que servirão para nos orientar onde nos encontramos e quais pontos do projeto já foram alcancados.
 
Depois de termos planejado tudo que vamos realizar é hora de partir para a execução, momento de enfrentarmos tudo aquilo que não havíamos previsto. É nesse cenário que temos de fazer mais ajustes no planejamento. Para contornar os obstáculos somos obrigados a mudar o curso, sem perder de vista os pontos de controle pré-definidos, para que possamos voltar ao curso original depois das manobras imprevistas, devemos manter o controle sobre a execução do processo. Também não podemos esquecer de retornar em segurança após termos alcancado o grande objetivo. 
Após a execução de todo o planejamento precisamos  documentar todo o processo para passar às futuras gerações o que aprendemos de melhor. Navegar é como a vida, para alcancar nosso objetivo precisamos tracar uma rota, depois trabalhar todos os dias para manter o curso, pois tendo a certeza de que não sairemos vivos deste mundo, precisamos ainda voltar em segurança para formar os futuros comandantes, que nos assegurem que não tenhamos vivido em vão."



*Pedro Fernando Quezada é Físico e Oceanógrafo de formação,
atualmente é gerente de projeto de tecnologia na área de telecomunicações,
por ter nascido junto ao Estreito de Magalhães tem em seu segundo nome uma homenagem a esse explorador pioneiro.
Também coordena o Projeto Stradivarius, com o objetivo de motivar novos desafios na vida pessoal e corporativa.




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Meri